O Espaço dos Candangos é um projeto cultural criado pela poeta candanga Nina Reis, que resgata a memória dos trabalhadores pioneiros na construção de Brasília. Um lugar onde histórias, imagens, sabores e saberes que construíram Brasília por dentro mantêm vivas as raízes da cidade .
Este espaço reconhece e compartilha o saber das mãos, dos gestos e das palavras - das parteiras aos pedreiros, das cozinheiras aos mestres de ofício, das mulheres que ensinaram sem escola e dos homens que aprenderam no fazer coletivo. É memória viva, educação do cotidiano e herança cultural transmitida entre gerações.
Brasília foi sonhada por poucos, mas construída por muitos
O presidente Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa são os nomes mais lembrados.
Mas quem ergueu a cidade, com as próprias mãos, foram os candangos - milhares de trabalhadores vindos de todo o Brasil.
Eles enfrentaram jornadas duras, moraram em barracos e deixaram suas marcas na terra vermelha do cerrado.
A cidade nasceu do sonho de uns, mas vive do suor de muitos.
A História de Brasília em Ordem Cronológica
1822 - A ideia de Brasília nasce no papel A primeira menção ao nome "Brasília" surgiu em um folheto anônimo publicado em 1822, propondo a criação de uma capital no interior do Brasil.
1956 - A construção começa com Juscelino Kubitschek Com a eleição de JK, inicia-se o projeto de interiorização da capital. Trabalhadores de todas as regiões do Brasil começaram a migrar para o Planalto Central.
1956 a 1960 - Chegam os candangos Durante esse período, milhares de homens e mulheres, principalmente nordestinos, participaram das obras. Eles ficaram conhecidos como candangos, símbolo da força de trabalho e da esperança.
21 de abril de 1960 - Inauguração de Brasília Mesmo ainda inacabada, Brasília foi oficialmente inaugurada. Os candangos, porém, não voltaram para seus estados - criaram raízes, famílias e comunidades.
Pós-1960 - A memória candanga se transforma em identidade Os filhos e netos dos candangos cresceram na nova capital. Suas histórias ajudaram a moldar o jeito brasiliense de ser, com palavras próprias, culinária diversa e uma cultura construída no coletivo.
Hoje - O legado continua vivo Iniciativas como o Espaço dos Candangos, da poeta Nina Reis, resgatam essa memória viva por meio de relatos, imagens e causos. É a história de Brasília contada de dentro - pelos que a construíram com as próprias mãos.
Brasília: um sonho construído por mãos candangas
A capital do Brasil foi muito mais do que um projeto político. A construção de Brasília, idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950, simbolizou a união do país e sua modernização. Mas por trás das linhas de Lúcio Costa e das curvas de Oscar Niemeyer, estava o suor dos candangos - trabalhadores que vieram de todas as partes do país.
Entre 1956 e 1960, milhares de migrantes chegaram ao Planalto Central em busca de trabalho. Vivendo em condições precárias nos chamados acampamentos operários, enfrentaram desafios como a falta de moradia, alimentação e infraestrutura. Ainda assim, sua força construiu em tempo recorde a nova capital, inaugurada oficialmente em 21 de abril de 1960, com cerca de 127 mil habitantes.
A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) organizava a infraestrutura dos acampamentos e as obras de urbanização. Apesar de planejados como espaços temporários, muitos desses acampamentos - como a Vila Planalto, a Candangolândia, a Vila Telebrasília e o Núcleo Bandeirante - se transformaram em bairros permanentes e símbolos da resistência candanga.
Acampamentos dos Candangos: a origem de muitos bairros de Brasília
Cidade Livre - Núcleo Bandeirante (1956)
Primeiro núcleo urbano criado para atender os operários da construção. Tornou-se um entreposto comercial conhecido como Cidade Livre devido à isenção de impostos. Mais tarde, recebeu o nome oficial de Núcleo Bandeirante.
Candangolândia (1956)
Um dos primeiros acampamentos estruturados pela Novacap, destinado a funcionários da companhia. Com infraestrutura como energia elétrica e água encanada, tornou-se um dos marcos da ocupação organizada no DF.
Acampamento da Metropolitana (1956)
Criada para abrigar trabalhadores da Companhia Metropolitana de Estradas, responsáveis pela construção da pista do aeroporto. Posteriormente integrou-se ao Núcleo Bandeirante.
Vila Planalto (1956-1958)
Resultado da instalação de várias construtoras para execução das obras da capital. Servia como alojamento de técnicos e operários das empreiteiras que erguiam o Palácio da Alvorada, Brasília Palace e Eixo Monumental.
Acampamento da Telebrasília (1956)
Acampamento da construtora Camargo Corrêa, localizada à beira do Lago Paranoá. Teve seus traços urbanos preservados com vegetação e ruas estreitas, tornando-se um modelo de urbanização humanizada.
Acampamento do Paranoá (1957-1964)
Formada a partir dos trabalhadores da construção da barragem do Lago Paranoá. Tornou-se permanente após a inauguração da cidade devido à continuidade das obras da usina hidrelétrica.
Acampamento do IAPI (década de 1960)
Conhecida como a maior invasão da história de Brasília, deu origem a Ceilândia. Inicialmente formada por trabalhadores que não retornaram aos seus estados de origem, expandiu-se até o Guará 2. Em 1971, foi promovida a transferência para a nova cidade, Ceilândia.
Por que conhecer os acampamentos de Brasília?
Entender os acampamentos é mergulhar na história viva da cidade. São eles que revelam a luta, o improviso, a cultura e a resistência dos candangos, que não apenas construíram Brasília com suas mãos, mas também com seus afetos, sotaques e memórias.
Embora Brasília tenha sido inaugurada em 1960, os acampamentos que abrigaram os trabalhadores pioneiros - os candangos - ainda resistem no tempo e na paisagem do Distrito Federal. Esses núcleos, formados inicialmente por barracos de madeira, continuam existindo como testemunhos vivos da origem da capital.
Onde Estão os Acampamentos Remanescentes?
Alguns dos principais acampamentos ainda visíveis ou transformados em comunidades estão localizados nas seguintes regiões:
Vila Planalto (Plano Piloto) - Um dos mais preservados, lar de operários da construção de Brasília.
Vila Telebrasília (Plano Piloto) - Remanescente dos trabalhadores da antiga Telebrasília.
Acampamento Rabelo (Sobradinho) - Um dos últimos com traços originais da época da construção.
Vila Metropilitana, Vila Cauhy (Núcleo Bandeirante / Candangolândia) - Ponto de resistência da memória candanga.
Estrutural (SCIA) - Originada como acampamento operário, evoluiu para Região Administrativa.
Acampamento do IAPI (área do Cruzeiro e Octogonal) - Importante registro histórico de alojamento dos trabalhadores civis.
Importância Cultural e Social
Esses acampamentos representam muito mais que moradia: são símbolos de resistência, memória afetiva e identidade coletiva. As comunidades que se formaram nesses espaços preservam:
Relatos orais dos pioneiros
Saberes tradicionais
Arquitetura de madeira original
Gastronomia e festas típicas
Uma cultura urbana única, fruto da mistura de regiões do Brasil
Tombamento e Reconhecimento das Vilas Candangas no DF
As vilas e acampamentos que deram origem a Brasília têm reconhecimento histórico por seu papel fundamental na construção da capital. Entre os principais núcleos pioneiros, destaca-se a Vila Planalto, tombada em 1988 como patrimônio histórico do DF e integrada à área protegida pelo IPHAN em 1992. Outro marco importante é a Escola Metropolitana, inaugurada em 1958 no antigo Acampamento da Metropolitana (Núcleo Bandeirante), tombada em 1995 com sua praça e igreja.
A Vila Telebrasília, formada por trabalhadores da Camargo Corrêa e outras empreiteiras, foi regularizada em 2007, mas ainda não possui tombamento. O mesmo vale para a Vila Cauhy, que passa por urbanização recente, e a histórica Vila do IAPI, desmantelada na década de 1970. Já o Acampamento Rabelo, parte da Vila Planalto, está sob o mesmo decreto de proteção de 1988.
A SCIA/Estrutural, criada em 2004, é reconhecida como assentamento popular pós-1960 e ainda não possui status de patrimônio, embora haja ações de valorização cultural local.
Esses locais são fundamentais para preservar a memória viva dos candangos e continuam sendo foco de propostas de tombamento, reconhecimento comunitário e projetos de resgate cultural.
O Legado dos Acampamentos Candangos e sua Preservação no DF
Os acampamentos que ainda sobrevivem no Distrito Federal - como a Vila Planalto, o Acampamento Rabelo, a Vila Metropolitana (antigo Acampamento da Metropolitana), o Pacheco Fernandes e a histórica Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante) - representam territórios vivos de memória, cultura e identidade coletiva.
Diferente das Regiões Administrativas (RAs) - unidades oficiais de gestão criadas após a inauguração de Brasília, com delimitação administrativa e estrutura de governo local ?, as vilas e acampamentos surgiram de forma espontânea e funcional, como locais provisórios de moradia para operários vindos de todo o Brasil. Enquanto Brasília representa o centro planejado do poder, os acampamentos e vilas guardam a alma dos que a construíram.
Esse patrimônio é mantido vivo em espaços comunitários como:
A Igreja São José Operário (Vila Planalto),
A Escola Classe 1 da Vila Planalto, símbolo da educação dos filhos dos candangos,
O tradicional Mercado do Núcleo Bandeirante (antigo Mercado Livre, dos tempos da Cidade Livre),
A Escola da Metropolitana, inaugurada em 1958 no antigo Acampamento da Metropolitana (Núcleo Bandeirante)
a Igreja Nossa Senhora Aparecida, no antigo Acampamento da Metropolitana (Núcleo Bandeirante)
Além dos espaços físicos, o legado candango se expande para o meio digital por meio do Espaço dos Candangos - um projeto virtual e cultural criado pela poeta Nina Reis, que resgata e compartilha as raízes culturais e cotidianas nos acampamentos por meio de imagens e histórias orais.
Esse conjunto de ações - públicas, comunitárias e digitais - reafirma que Brasília não nasceu apenas do concreto e do traço urbanístico, mas da força, da memória dos candangos, que ainda hoje moldam o jeito brasiliense de ser.
Dos Acampamentos às Cidades-Satélites: A Origem das Regiões Administrativas do DF
A história das Regiões Administrativas do Distrito Federal começa muito antes da inauguração oficial de Brasília, em 21 de abril de 1960. Durante a construção da nova capital, milhares de trabalhadores vindos de todas as regiões do Brasil se instalaram em acampamentos improvisados, marcando o início do povoamento da região.
Plano Piloto - RA I Fundação: Inaugurado em 21 de abril de 1960, junto com Brasília. Localização: Núcleo central do Distrito Federal, inclui Asas Norte e Sul, Noroeste, Vila Planalto, Vila Telebrasília e Eixo Monumental. População: Cerca de 209 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 80 km². Histórico: É o traçado urbano original da capital, projetado por Lúcio Costa e com obras arquitetônicas de Oscar Niemeyer. É símbolo do modernismo brasileiro e patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO desde 1987. Infraestrutura e economia: Sede dos Três Poderes, ministérios e órgãos federais. Possui intensa atividade comercial, setor hoteleiro, bancos e serviços. Forte presença de transporte público e ciclovias. Ambiente natural: Conta com áreas verdes planejadas como Parque da Cidade, Parque Nacional de Brasília e o Lago Paranoá. Desenvolvimento: Preservação urbanística rígida. Foco em manter o conceito original de cidade-parque.
Gama - RA II Fundação: Criada em 12 de outubro de 1960, oficializada em 10 de dezembro de 1964. Localização: Região sul do DF, próxima à divisa com Goiás e a BR-060. População: Aproximadamente 135 mil habitantes (2021). Área: Cerca de 276km². Histórico: Uma das primeiras cidades projetadas para abrigar operários da construção de Brasília. Possui setor central com traçado radial, conhecido como "Cidade Satélite". Infraestrutura e economia: Comércios variados, escolas, hospitais, terminal rodoviário, estádio Bezerrão. Polo educacional e de serviços. Ambiente natural: Próxima a áreas de cerrado preservado e córregos, como o Capão da Onça. Desenvolvimento: Passa por requalificações urbanas e expansão de áreas residenciais e comerciais.
Taguatinga - RA III Fundação: Criada em 5 de junho de 1958, oficializada em 10 de dezembro de 1964. Localização: Região centro-oeste do DF, entre Ceilândia e Águas Claras. População: Aproximadamente 220 mil habitantes (2021). Área: Cerca de 121 km². Histórico: Surgiu antes da inauguração de Brasília, para acolher famílias removidas de invasões e trabalhadores. Tornou-se importante centro urbano. Infraestrutura e economia: Grande centro comercial com shoppings, escolas, faculdades, setor hospitalar e empresarial forte. Ambiente natural: Possui parques urbanos como o Parque Ecológico Saburo Onoyama. Desenvolvimento: Continua como polo dinâmico, com integração ao transporte metroviário e expansão vertical.
Brazlândia - RA IV Fundação: Criada em 5 de junho de 1933, oficializada em 10 de dezembro de 1964. Localização: Região oeste do DF, a cerca de 50 km do centro de Brasília. População: Aproximadamente 55 mil habitantes (2021). Área: Cerca de 474 km². Histórico: Originou-se da antiga colônia agrícola Alexandre de Gusmão. Tem perfil rural forte, preservando tradições interioranas. Infraestrutura e economia: Destaque para a produção agrícola (hortaliças, morangos). Possui feiras, escolas e pequeno comércio. Ambiente natural: Região rica em nascentes, com o espelho d'água do Lago Veredinha e o Parque da Chapadinha. Desenvolvimento: Com incentivos ao turismo rural e ecológico.
Sobradinho - RA V Fundação: Criada em 13 de maio de 1960, oficializada em 10 de dezembro de 1964. Localização: Região norte do DF, a cerca de 22 km do Plano Piloto. População: Cerca de 65 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 330 km². Histórico: Criada para abrigar servidores e trabalhadores da nova capital. Tem origem no núcleo urbano estabelecido ao redor da Colônia Agrícola Sobradinho. Infraestrutura e economia: Possui comércio local, escolas, postos de saúde, centro cultural, terminal rodoviário. Ambiente natural: Cercada por morros e cerrado nativo; destaca-se a Serra da Contagem e o Parque Jequitibás. Desenvolvimento: Em processo de renovação urbana e valorização histórica
Planaltina -RA VI Fundação: 19/08/1859 (como núcleo rural); oficializada como RA em 10/12/1964. Localização: Norte do DF, próximo à divisa com Goiás. População: 189.000 (2021). Área: 2.537km² (maior RA em extensão territorial). Histórico: Cid ade histórica anterior à construção de Brasília, incorporada ao DF. Preserva traços coloniais e tradições culturais. Infraestrutura & economia: Comércio ativo, agricultura familiar, serviços públicos, escolas, centros culturais e feira tradicional. Ambiente natural: Cerrado preservado, áreas rurais, nascentes e reservas ambientais. Desenvolvimento: Foco em regularização fundiária e valorização cultural da área histórica.
Paranoá - RA VII Fundação: 25/10/1957; oficializada como RA em 10/12/1964. Localização: À margem do Lago Paranoá, próximo à barragem. População: 51.000 (2021). Área: 853 km². Histórico: Criada para abrigar operários da barragem do lago; cresceu com ocupações espontâneas. Infraestrutura & economia: Comércio, escolas, equipamentos públicos, centro urbano consolidado. Ambiente natural: Presença do Lago Paranoá, áreas de cerrado e zona rural produtiva. Desenvolvimento: Passou por obras de urbanização e regularização; foco em mobilidade e sustentabilidade.
Núcleo Bandeirante - RA VIII Fundação: 19/12/1956; oficializada como RA em 10/12/1964. Localização: Região central, próxima ao aeroporto e ao Eixão Sul. População: 26?000 (2021). Área: 80km². Histórico: Primeiro núcleo urbano da construção de Brasília, abrigando operários; considerada "cidade livre" durante a obra. Infraestrutura & economia: Infraestrutura consolidada, comércio tradicional, escolas e saúde. Ambiente natural: Áreas verdes urbanas e proximidade com o Parque do Guará. Desenvolvimento: Preserva identidade histórica e valor simbólico como berço candango.
Ceilândia - RA IX Fundação: 27/03/1971; oficializada como RA em 25/10/1989. Localização: Oeste do DF, limite com Samambaia e Taguatinga. População: 398 .000 (2021) ? mais populosa do DF. Área: 230 km². Histórico: Criada para combater invasões em Brasília. Nome vem da CEI (Campanha de Erradicação de Invasões). Infraestrutura & economia: Comércio forte, feiras, cultura nordestina viva, transporte intenso. Ambiente natural: Áreas urbanas densas e remanescentes de cerrado. Desenvolvimento: Potência econômica e cultural; foco em mobilidade urbana e serviços públicos.
Guará - RA X Fundação: 05/05/1969; oficializada como RA em 25/10/1989. Localização: Próximo ao Plano Piloto e ao Park Way. População: 136.000 (2021). Área: 21.km². Histórico: Criada como área residencial de servidores; nome vem do lobo-guará. Infraestrutura & economia: Centros comerciais, escolas, metrô, feiras e centros esportivos. Ambiente natural: Áreas verdes, parques e proximidade com o Parque Ecológico Ezechias Heringer. Desenvolvimento: Zona urbana consolidada, com foco em qualidade de vida e acessibilidade.
Cruzeiro- RA XI Fundação: 30 de novembro de 1959 (oficializada em 25/10/1989) Localização: Próxima ao Plano Piloto, entre o Sudoeste e o Eixo Monumental População: Cerca de 32.000 habitantes Área: Aproximadamente 3,1 km² Histórico: Criada para abrigar servidores públicos da antiga capital; mantém arquitetura original com blocos residenciais característicos. Infraestrutura e economia: Comércio variado, escolas, centros culturais e administrativos; forte presença de servidores públicos. Ambiente natural: Áreas arborizadas e proximidade com o Parque da Cidade Desenvolvimento: Preserva a identidade histórica como bairro planejado de Brasília, com melhorias pontuais em mobilidade e urbanismo.
Samambaia - RA XII Fundação: 25 de outubro de 1989 Localização: Região oeste do DF, entre Ceilândia e Taguatinga População: Cerca de 230.000 habitantes Área: Aproximadamente 102 km² Histórico: Criada como solução habitacional para realocar moradores de áreas irregulares de Ceilândia Infraestrutura e economia: Infraestrutura em crescimento; comércio, escolas, hospitais, metrô e polo cultural ativo Ambiente natural: Preserva áreas verdes e córregos locais, com potencial para projetos ecológicos Desenvolvimento: Uma das RAs com maior crescimento urbano e demográfico do DF
Santa Maria - RA XIII Fundação: 10 de fevereiro de 1991 (oficializada em 4/11/1992) Localização: Sul do DF, próxima ao Gama e ao entorno goiano População: Aproximadamente 120.000 habitantes Área: Cerca de 215 km² Histórico: Desenvolvida como expansão habitacional planejada, com forte presença de famílias oriundas de outras RAs Infraestrutura e economia: Comércio consolidado, escolas, UPA, parques e áreas residenciais bem definidas Ambiente natural: Áreas verdes e parques urbanos integrados ao território Desenvolvimento: Crescimento sustentável e foco em serviços públicos de qualidade
São Sebastião - RA XIV Fundação: 25 de junho de 1993 Localização: Sudeste do DF, próxima ao Jardim Botânico e Paranoá População: Cerca de 110.000 habitantes Área: Aproximadamente 298 km² Histórico: Surgiu a partir de ocupações espontâneas e foi posteriormente urbanizada e regularizada Infraestrutura e economia: Comércio local, escolas, centros de saúde e áreas de lazer em expansão Ambiente natural: Proximidade com o Parque Nacional de Brasília e áreas de Cerrado preservadas Desenvolvimento: Projetos de habitação, saneamento e mobilidade urbana em curso
Recanto das Emas - RA XV Fundação: 28 de julho de 1993 Localização: Próxima a Samambaia, Riacho Fundo II e Gama População: Cerca de 145.000 habitantes Área: Aproximadamente 80 km² Histórico: Criado para atender à demanda habitacional de famílias de baixa renda Infraestrutura e economia: Comércio dinâmico, escolas, transporte público e áreas residenciais consolidadas Ambiente natural: Áreas de Cerrado e pequenas reservas integradas à paisagem urbana Desenvolvimento: Foco em regularização fundiária, mobilidade e serviços públicos
Lago Sul - RA XVI Fundação: Criada em 30 de agosto de 1960; oficializada em 10 de janeiro de 1994. Localização: Margem sudeste do Lago Paranoá; próxima ao Plano Piloto e ao aeroporto. População: Aproximadamente 30.000 habitantes (2021). Área: Cerca de 183 km². Histórico: Formada inicialmente como área residencial de alto padrão; ocupação planejada desde os anos 1960. Infraestrutura & economia: Residências de alto padrão, embaixadas, escolas privadas, clínicas, comércio seleto. Ambiente natural: Áreas verdes preservadas, vista para o Lago Paranoá, proximidade do Parque Ecológico do Lago Sul. Desenvolvimento: Alta valorização imobiliária e foco em preservação ambiental e qualidade de vida.
Riacho Fundo -RA XVII Fundação: Criada em 13 de março de 1990; oficializada em 15 de dezembro de 1993. Localização: Entre Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo II e Park Way. População: Cerca de 38.000 habitantes (2021). Área: Aproximadamente 56km². Histórico: Criada para atender famílias transferidas de áreas de risco e expansão do Núcleo Bandeirante. Infraestrutura & economia: Comércio local ativo, escolas, unidades básicas de saúde, feira popular. Ambiente natural: Presença do Córrego Riacho Fundo e áreas verdes urbanas. Desenvolvimento: Passa por melhorias urbanas e regularização fundiária com apoio do governo do DF.
Lago Norte - RA XVIII Fundação: Criada e oficializada em 10 de janeiro de 1960. Localização: Margem norte do Lago Paranoá; ao lado de Brasília e Paranoá. População: Aproximadamente 40.000 habitantes (2021). Área: Cerca de 80 km². Histórico: Surgiu como contraponto ao Lago Sul, com urbanização planejada e foco residencial. Infraestrutura & economia: Residências de alto padrão, comércio local, escolas, centros médicos. Ambiente natural: Extensa orla do lago, parques urbanos, proximidade com o Parque das Garças. Desenvolvimento: Planejamento urbano preservado e foco em sustentabilidade.
Candangolândia - RA XIX Fundação: Criada em 3 de novembro de 1956; oficializada em 27 de janeiro de 1994. Localização: Próxima ao Aeroporto JK e Núcleo Bandeirante. População: Cerca de 17.000 habitantes (2021). Área: Aproximadamente 2,2km². Histórico: Um dos primeiros assentamentos dos trabalhadores candangos; núcleo operário da construção de Brasília. Infraestrutura & economia: Bairro tradicional com comércio, escolas e espaços culturais. Ambiente natural: Áreas verdes urbanas, com pequena extensão territorial. Desenvolvimento: Fortalecimento da identidade cultural e valorização histórica.
Águas Claras - RA XX Fundação: Criada em 16 de dezembro de 1992; oficializada em 6 de maio de 2003. Localização: Região central do DF, entre Taguatinga e Park Way. População: Mais de 135.000 habitantes (2021). Área: Cerca de 31 km². Histórico: Projetada como cidade vertical, com planejamento moderno e alto índice de adensamento urbano. Infraestrutura & economia: Shoppings, escolas, hospitais, comércios variados e transporte eficiente (metrô). Ambiente natural: Possui o Parque Ecológico de Águas Claras e áreas arborizadas. Desenvolvimento: Rápido crescimento populacional e imobiliário; foco em mobilidade e qualidade urbana.
Riacho Fundo II - RA XXI Fundação: Criada e oficializada em 6 de maio de 1995. Localização: Região administrativa vizinha ao Riacho Fundo I, próxima ao Núcleo Bandeirante e Recanto das Emas. População: Cerca de 47 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 56 km². Histórico: Criada para atender à demanda por habitação popular na década de 1990, o Riacho Fundo II recebeu projetos habitacionais e foi ocupado principalmente por famílias de baixa renda. Infraestrutura & economia: Possui escolas, postos de saúde, feiras e comércios locais. Em constante desenvolvimento urbano e melhorias de mobilidade. Ambiente natural: Contém áreas verdes e córregos da Bacia do Lago Paranoá, com potencial para parques urbanos. Desenvolvimento: Cresce com investimentos públicos em infraestrutura e regularização fundiária.
Sudoeste/Octogonal - RA XXII Fundação: Criada em 10 de julho de 1989, oficializada em 6 de maio de 2003. Localização: Entre o Plano Piloto e o Cruzeiro, com fácil acesso ao Eixo Monumental. População: Cerca de 80 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 12 km². Histórico: Surgiu como expansão urbana planejada com padrão de moradia vertical e alto índice de qualidade de vida. Infraestrutura & economia: Área nobre com comércio variado, escolas, hospitais, serviços públicos e privados. Ambiente natural: Próxima ao Parque da Cidade e áreas de preservação do entorno. Desenvolvimento: Valorizada pelo urbanismo moderno e mobilidade eficiente.
Varjão - RA XXIII Fundação: Criada em 19 de abril de 1991, oficializada em 6 de maio de 2003. Localização: Próxima ao Lago Norte, entre o Paranoá e o Itapoã. População: Aproximadamente 9 mil habitantes (2021). Área: 1,5 km². Histórico: Originada como ocupação irregular, foi reconhecida como RA após mobilização da comunidade. Infraestrutura & economia: Conta com comércios locais, escolas, serviços públicos em expansão. Ambiente natural: Localizada em área próxima ao Lago Paranoá e áreas verdes. Desenvolvimento: Vive processo de regularização e melhorias urbanas com foco em habitação digna.
Park Way - RA XXIV Fundação: Criada em 13 de março de 1961, oficializada em 29 de dezembro de 2003. Localização: Entre o Plano Piloto, Núcleo Bandeirante, Águas Claras e o Aeroporto. População: Cerca de 20 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 76 km². Histórico: Criada como área de proteção ambiental e residencial de baixo adensamento. Infraestrutura & economia: Bairro residencial de alto padrão, com chácaras, condomínios, centros de distribuição e áreas agrícolas. Ambiente natural: Rico em vegetação do cerrado, nascentes e córregos protegidos. Desenvolvimento: Área nobre com foco em preservação ambiental e ocupação controlada.
SCIA/Estrutural - RA XXV Fundação: Criada em 25 de outubro de 1989, oficializada em 27 de janeiro de 2004. Localização: Próxima ao Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), entre a Ceilândia e o Plano Piloto. População: Cerca de 39 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 2,2 km². Histórico: Originada como área de apoio à indústria e centro de triagem de resíduos, passou por ocupação popular. Infraestrutura & economia: Presença de galpões industriais, feiras e centros de reciclagem; enfrenta desafios urbanos e ambientais. Ambiente natural: Áreas degradadas em recuperação, com projetos socioambientais em curso. Desenvolvimento: Inserida em planos de urbanização e requalificação urbana com apoio do GDF.
Sobradinho II - RA XXVI Fundação: Criada em 11 de outubro de 1991 e oficializada em 27 de janeiro de 2004. Localização: Localiza-se ao norte do DF, próxima a Sobradinho I e à BR-020. População: Cerca de 105 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 190 km². Histórico: Surgiu a partir da expansão populacional de Sobradinho I e da ocupação de áreas por moradias populares. Infraestrutura e economia: Conta com escolas, centros de saúde, comércio ativo e áreas de moradia regularizadas e em regularização. Ambiente natural: Possui áreas de Cerrado preservado e relevos variados. Desenvolvimento: Passou por programas de regularização fundiária e urbanização a partir dos anos 2000.
Jardim Botânico - RA XXVII Fundação: Criada em 13 de dezembro de 1999 e oficializada em 31 de agosto de 2004. Localização: Região sudeste do DF, vizinha ao Lago Sul e ao Paranoá. População: Aproximadamente 64 mil habitantes (2021). Área: Cerca de 365 km². Histórico: Formada por condomínios horizontais de alto padrão e chácaras, a região cresceu rapidamente a partir da década de 1990. Infraestrutura e economia: Destaca-se pelos centros comerciais, condomínios fechados e serviços voltados à população de renda média-alta. Ambiente natural: Abriga o Jardim Botânico de Brasília e importantes reservas ecológicas. Desenvolvimento: Área com forte expansão residencial e foco em sustentabilidade e planejamento urbano.
Itapoã - RA XXVIII Fundação: Criada e oficializada em 3 de janeiro de 2005. Localização: Região leste do DF, próxima ao Paranoá. População: Aproximadamente 70 mil habitantes (2021). Área: Cerca de 14 km². Histórico: Originou-se como ocupação irregular, convertida em RA para garantir políticas públicas e urbanização. Infraestrutura e economia: Possui escolas, unidades básicas de saúde, áreas comerciais e de serviços. Ambiente natural: Próxima ao Parque do Paranoá e áreas de Cerrado. Desenvolvimento: A região recebe investimentos em mobilidade urbana, habitação e regularização fundiária.
SIA - Setor de Indústria e Abastecimento - RA XXIX Fundação: Criada em 21 de abril de 1969, oficializada em 14 de julho de 2005. Localização: Região central do DF, entre o Plano Piloto e o Guará. População: População flutuante e reduzida; vocação é industrial e comercial. Área: Aproximadamente 20 km². Histórico: Criada como polo de abastecimento e produção, abrigando empresas, depósitos e centros logísticos. Infraestrutura e economia: Forte presença de indústrias, atacadistas, centros de distribuição e logística. Ambiente natural: Áreas urbanizadas com pouca presença de vegetação nativa. Desenvolvimento: Em constante reestruturação para integração com áreas vizinhas e ampliação de serviços urbanos.
Vicente Pires - RA XXX Fundação: Criada e oficializada em 26 de maio de 1989. Localização: Entre Taguatinga, Guará e Águas Claras. População: Cerca de 75 mil habitantes (2021). Área: Aproximadamente 25 km². Histórico: Iniciou como área rural com chácaras e evoluiu para área residencial de classe média com forte processo de urbanização informal. Infraestrutura e economia: Comércio diversificado, condomínios e forte demanda por mobilidade e saneamento. Ambiente natural: Áreas de nascente e córregos, além de ocupações em áreas de risco. Desenvolvimento: Passou por obras de infraestrutura nos últimos anos, com foco em drenagem e asfaltamento.
Fercal - RA XXXI Fundação: Criada em 11 de setembro de 1956; oficializada em 29 de janeiro de 2012. Localização: Situada entre Sobradinho, Sobradinho II e Planaltina, no norte do DF. População: Aproximadamente 8.000 habitantes. Área: Cerca de 182 km². Histórico: Antiga área rural com comunidades de origem operária ligadas à mineração e indústrias de cal. Infraestrutura e economia: Preserva caráter rural, com pequenas propriedades agrícolas, produção de cal e vocação turística. Ambiente natural: Região montanhosa com formações calcárias, grutas e grande diversidade ambiental. Desenvolvimento: Foco em infraestrutura básica, regularização fundiária e fomento ao turismo ecológico.
Sol Nascente/Pôr do Sol -RA XXXII Fundação: Criada e oficializada em 14 de agosto de 1999. Localização: A oeste de Ceilâdia População: Uma das mais populosas do DF, com mais de 100.000 habitantes. Área: Aproximadamente 820 hectares. Histórico: Formada por ocupações espontâneas e loteamentos irregulares, consolidou-se como RA recentemente. Infraestrutura e economia: Em processo de urbanização, com escolas, comércio, transporte e obras de saneamento. Ambiente natural: Áreas de cerrado alteradas por expansão urbana, com necessidade de preservação. Desenvolvimento: Integra projetos de habitação, regularização fundiária e inclusão social.
Arniqueira - RA XXXIII Fundação: Criada informalmente em 1999; oficializada em 30 de setembro de 2019. Localização: Entre Águas Claras, Park Way, Riacho Fundo e Taguatinga. População: Cerca de 47.000 habitantes (2021). Área: Aproximadamente 1.330 hectares. Histórico: Originada de chácaras e ocupações informais como Vila Areal, passou por processo de regularização. Infraestrutura e economia: Conta com comércio local, escolas, UBS, restaurante comunitário e parque ecológico. Ambiente natural: Inclui o Parque Ecológico do Areal e afluentes do Lago Paranoá. Desenvolvimento: Avanços na regularização fundiária e ambiental em parceria com Terracap e Sedur.
Arapoanga - RA XXXIV Fundação: Criada e oficializada em 21 de dezembro de 1992. Localização: Situada na região de Planaltina, como desmembramento urbano. População: Estimada em 40.000 habitantes. Área: Cerca de 1.000 hectares. Histórico: Inicialmente uma extensão de Planaltina, tornou-se polo de moradia popular. Infraestrutura e economia: Possui escolas, comércio local, serviços públicos e habitações do programa Minha Casa Minha Vida. Ambiente natural: Parte do território inserido no bioma cerrado, com áreas verdes urbanas. Desenvolvimento: Crescimento populacional impulsiona melhorias em transporte, saúde e educação.
Água Quente - RA XXXV Fundação: Data não especificada; criada por desmembramento recente da área rural de Samambaia. Localização: Região limítrofe do DF, próxima ao entorno sul e Samambaia. População: Ainda em levantamento oficial. Área: Considerada zona de expansão rural e habitacional. Histórico: Formada por ocupações e assentamentos rurais, com forte presença de comunidades agrícolas. Infraestrutura e economia: Agricultura familiar, com expansão urbana e necessidade de investimento público. Ambiente natural: Cerrado preservado, presença de nascentes e córregos. Desenvolvimento: Em fase de estruturação administrativa, com foco em regularização e inclusão
(Fonte Site oficial do Governo do Distrito Federal (www.df.gov.br);)
Espaço dos Candangos
Os acampamentos que sobreviveram se tornaram territórios de memória, onde a história de Brasília pulsa no cotidiano. Com cada casa, rua e relato, os candangos continuam presentes, lembrando que a capital nasceu da força coletiva.
Projetos como o Espaço dos Candangos, criado pela poeta candanga Nina Reis, fortalecem essa memória viva por meio de relatos, imagens e causos da infância e da vida nos acampamentos, preservando e celebrando a identidade dos trabalhadores que ergueram a capital. É história contada de dentro - por quem viveu, construiu e permanece.